segunda-feira, 21 de maio de 2007

Cazuza, o mágico das frases

Por André Aquino

O mundo da poesia perdeu há 17 anos a irreverência, a magia e a alegria de Cazuza. Morto aos 32 anos, em 1990, vítima de doenças causadas por complicações da Aids, Cazuza ficou nas letras que escreveu e na coragem que enfrentou a doença que o matou. Mês passado (4 de abril), ele completaria 49 anos de vida. Exagerado na vida, “Caju” - como, carinhosamente, era chamado pelos amigos - não gostava do nome de batismo, Agenor Miranda de Araújo Neto, uma homenagem ao seu avô paterno. O “grilo” ao nome acabou quando descobriu que Cartola era seu xará.
Menino do Rio que amava os Beatles, Tropicália, Chico Buarque, Clarisse Lispector, Lupicínio Rodrigues, trocou cedo o lado pacato da adolescência pelo fascínio do outro lado da existência: foi ser vocalista do grupo de rock Barão Vermelho, em 1981. E mostrou a cara para o Brasil.
No início, como qualquer outra banda de rock, foi difícil. Até aparecer na vida dos jovens o produtor musical Ezequiel Neves, que levou o demo do Barão Vermelho ao então produtor artístico da gravadora Som Livre, Guto Graças Mello. Os dois convenceram o pai de Cazuza, João Araújo, presidente e dono da gravadora, de lançar o próprio filho. O talento venceu e Barão Vermelho lançou o seu primeiro disco, com o nome da própria banda.
Em seguida, eles lançaram o disco “Dois”, no qual está incluída a faixa “Pro Dia Nascer Feliz”. O sucesso nacional veio em 1984, com “Beth Balanço”, que foi composta para trilha sonora do filme de mesmo nome. Os primeiros discos, no entanto, não foram sucessos de vendas.
O “boom” na careira aconteceu no dia 15 de janeiro de 1985, quando eles se apresentaram na primeira edição do festival “Rock in Rio”, e fizeram milhares de fãs cantarem “Pro Dia Nascer Feliz”. É bom lembrar que o Brasil estava passando por um momento histórico, quando a democracia estava voltando ao País, com a eleição de Tancredo Neves, que morreu antes da posse. Mas, com seu jeito sincero, ele negou qualquer relação da letra com o momento político do País.

Cazuza destrói a imagem de
que roqueiro é alienado

Como se premeditasse que vida de poeta era curta, também 1985, Cazuza abandonou o Barão Vermelho e seguiu em carreira solo. Filho único e mimado, se sentia melhor sozinho no palco. Ele, que escreveu letra criticando a política como, por exemplo, “Brasil”, destruiu a idéia de que roqueiro é alienado. Os discos foram muitos para o pouco tempo de carreira solo: “Exagerado”, “Só Se For a Dois”, “Ideologia”, “O Tempo Não Pára” e “Burguesia”.
Na nova fase, os shows ficaram mais bem elaborados e profissionais. Mas os efeitos da doença estavam visíveis. Em 1987, Cazuza foi para Boston, nos EUA, onde ficou internado dois meses fazendo o tratamento com base do AZT (o primeiro coquetel de drogas no tratamento da Aids). Lá, ele compôs, junto com Ezequiel Neves, a música “Boas Novas”, que ele cita num trecho: “Eu vi a cara da morte e ela estava viva”.
Na sua volta ao Brasil, gravou “Ideologia”, disco que relatou a sua experiência de enfrentar a doença. Um detalhe interessante é que Cazuza foi um dos responsáveis pela vinda do AZT ao Brasil. Em 1988, Cazuza recebeu o prêmio Sharp, um dos principais premiações da época, como melhor cantor de pop-rock.
O show “Ideologia”, dirigido por Ney Matogrosso, viajou por todo o País, virou um programa na Rede Globo e foi gravado para ser transformado em disco, “Cazuza ao Vivo, o Tempo Não Pára”. Este disco vendeu quase 600 mil cópias e é o registro dos maiores sucessos de sua carreira.No seu último show, no Canecão, no Rio, se descobriu um Cazuza mais romântico, encontrando a bossa-nova na música “Faz Parte do Meu Show”.
Atualmente, esta música faz parte da trilha sonora da novela “Paraíso Tropical”, da TV Globo. Debilitado pela doença, sem esconder o que tinha, Cazuza continuou compondo e deixou muitas músicas gravadas. Letras que ficarão para sempre.

Cazuza ‘mostrou a cara’ para o Brasil

Cazuza apareceu na capa da revista “Veja” assumindo que estava com Aids. Foi um baque nacional. Era a primeira personalidade pública a assumir que estava doente. Talvez, a proximidade com a morte o tenha levado a compor compulsivamente. Em 1989, gravou o álbum duplo “Burguesia”, que viria a ser seu último registro musical.
Morreu no Rio, em 7 de julho de 1990, aos 32 anos.A sua vida curta e intensa foi digna de um roteiro de filme: “Cazuza, O Tempo Não Pára”, de Sandra Werneck (“Amores Possíveis”) e Walter Carvalho (“Janela da Alma”), lançado em 2005. Com atuação antológica de Daniel de Oliveira, o filme levou mais de três milhões de pessoas aos cinemas em todo o País.
E mais: Cazuza foi tema do livro “Só as Mães São Felizes”, lançado em 1997, pela jornalista Regina Echeverria e a mãe de Cazuza, Lucinha Araújo. A mãe do astro também criou, um ano depois de sua morte, a Sociedade Vida Cazuza, entidade que dá assistências psicológicas e sociais às crianças e adolescentes com o vírus HIV.
A vida sem Cazuza faz lembrar uma de suas declarações. “Queria ser julgado, um dia, pelo meu trabalho”. E conseguiu. Assim, João Araújo deixou de ser presidente da Som Livre para se tornar, simplesmente, o pai de Cazuza. E isso bastou para o poeta exagerado.

(21 de maio de 2007)

5 comentários:

R&iN@T0_M@$$@y´´ disse...

Meus Herois Moreram de hoverdose
Meus inimigos estaum no poder !!!
bobera e´ naum viver a realidade !!!
Vida Loka, Vida Breve

leticia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
leticia disse...

Vivo cada segundO de minha vida como se fosse o útlimo!!! Posso não saber o que quero mas sei o que não quero, por isso não perco tempo ... Como pode alguém ser tão demente, porra loka, incosequente e ainda amar???????
Essa sou eu tbm... Cazuza na veiaa até o fimm

Daysinhaaa disse...

"Eu tenho amigos por toda a parte.
Na praia, no cinema, teatro, favela.
Amigo jornalista, garçon, vagabundo.
Meu negócio não é somar, é multiplicar.
Sozinho não dou conta.
Ando em bando, camuflado, descarado, fazendo festa. Me sinto em casa no meio da rua, na madrugada, na multidão.
EU SOU DA TRIBO DO ABRAÇO."

(Cazuza)

Como ele eu faço parte dessa tribo!

layla disse...

"O amor é o rídiculo da vida... A gente procura nele uma pureza impossível....Uma pureza que está sempre se pondo... indo embora. A vida veio e me levou com ela... Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue....Bonita e breve... Como borboletas que só vivem vinte e quatro horas...Morrer não dói..."